Penso que talvez sufoco não seja apenas a sensação de viver algo extremo. É viver algo que excede a palavra, toca fundo, aperta por dentro e ainda não encontrou linguagem suficiente para ganhar contorno
A Lygia consegue revirar tudo dentro da gente. É, por vezes, nauseante, é desconfortável e de tirar o fôlego. Lembro da primeira vez que li uma obra dela e fiquei extasiada! Uma das coisas que mais me encanta na literatura lygiana é como ela eleva o cotidiano, o normal, a esfera do ilógico. É surreal!
O cotidiano realmente é elevado em sua obra, é instigante! Obrigado por ter me dado o pontapé necessário para cair na armadilha lygiana, Vitoria. Conversar sobre os contos fizeram toda a diferença durante a minha leitura.
Que texto incrível, gostei muito da maneira descrita do "Sufoco", até porque textos como esse nos torna mais íntimos deles, pois quando você está em uma situação desconfortável é muito mais difícil você fingir algo, e diante de textos sufocantes não há como fingir uma reação que não temos, pois aquilo é mais íntimo.
Novamente volto a parabenizar, excelente texto e me trouxe vontade para conhecer a autora, muito obrigada por proporcionar esse conteúdo!
suas palavras aumentaram ainda mais a minha vontade de ler Lygia! sempre me vejo lendo trechos de As Meninas e Ciranda de Pedra nas livrarias e acho que estou chegando perto do momento em que os conhecerei completamente. 🌷
Muito interessante essa sua análise da escrita da Lygia. Você não falou somente do que ela escreve, mas de como ela escreve e isso faz uma total diferença para o leitor.
Que texto foda, Nathan. Você surpreende como sempre, mano.
Uma das coisas mais interessantes que venho percebendo no Substack são textos que apresentam autores com os quais eu nunca tive contato e, a partir dessas leituras, despertam uma vontade real de ir atrás. Isso não falha, instiga mesmo. A Lygia já entrou pra minha lista.
Gosto muito de como você começa pelo conceito de sufoco e vai puxando isso pra situações concretas até chegar naquela sensação de não ter onde se apoiar. A parte da água me pegou bastante, porque dá pra sentir essa falta de estabilidade enquanto lê, como se o texto já colocasse a gente nesse estado antes mesmo de explicar.
Quando você leva isso pra literatura, tudo encaixa. O sufoco não fica só no tema, ele aparece na forma, nas lacunas, nessa ambiguidade que não deixa a gente confortável em momento nenhum. Dá pra entender bem essa ideia de que não se lê ela de forma tranquila.
Uma coisa que me chamou atenção foi quando você diz que o desconforto é a forma de tocar no que há de mais humano. Isso faz muito sentido, porque quanto mais a narrativa incomoda, mais ela força a gente a encarar o que normalmente evitaria.
E essa quebra de expectativa também é muito boa, essa sensação de que algo vai acontecer o tempo todo, mas o impacto muitas vezes está justamente no que não se resolve. Isso segura a tensão até o fim.
Lendo isso, me lembrei bastante do José Saramago, que trabalhei na universidade agora, recente, principalmente em “Ensaio sobre a Cegueira”. Mesmo com aquele estilo dele mais denso, com períodos longos, poucos respiros, é uma leitura que prende do início ao fim. E acho que tem algo em comum aqui, que é justamente essa sensação de desorientação, de tirar o leitor de um lugar confortável e obrigar ele a se situar dentro do caos.
Apesar de poucos autores hoje explorarem esse mesmo efeito, imagino que muitos ainda estejam por aí, talvez sem espaço ou até sem coragem de produzir algo assim, com medo de não serem compreendidos ou por não terem a mesma potência. A gente vive um momento em que a leitura anda cada vez mais apressada, e a paciência pra encarar esse tipo de sensação de quem realmente se entrega ao texto presente na obra, parece menor ainda. Por isso, o que você trouxe acaba tendo um peso maior, porque resgatam justamente essa potência que existe na escrita da Lygia Fagundes Telles.
Obrigado por isso, mano. Com certeza vou atrás e ler.
Seus comentários sempre surpreendem e enriquecem o proposto nos meus textos, Igor! Agradeço muito.
Ainda não me aventurei por Saramago, mas já tenho "As Intermitências da Morte" na lista de próximas leituras. Pelo que conheço dele, o caos é bem maior que Lygia, porque, como seu apelido de "dama da literatura brasileira" sugere, até a construção do ambíguo em sua escrita é de forma delicada e refinada.
Tenho certeza que dar uma chance para a obra dela lhe agregará muito!
Penso que talvez sufoco não seja apenas a sensação de viver algo extremo. É viver algo que excede a palavra, toca fundo, aperta por dentro e ainda não encontrou linguagem suficiente para ganhar contorno
Realmente, há sensações que ultrapassam os limites da linguagem.
A Lygia consegue revirar tudo dentro da gente. É, por vezes, nauseante, é desconfortável e de tirar o fôlego. Lembro da primeira vez que li uma obra dela e fiquei extasiada! Uma das coisas que mais me encanta na literatura lygiana é como ela eleva o cotidiano, o normal, a esfera do ilógico. É surreal!
Bela resenha, Nathan!🤍✨
O cotidiano realmente é elevado em sua obra, é instigante! Obrigado por ter me dado o pontapé necessário para cair na armadilha lygiana, Vitoria. Conversar sobre os contos fizeram toda a diferença durante a minha leitura.
Que texto incrível, gostei muito da maneira descrita do "Sufoco", até porque textos como esse nos torna mais íntimos deles, pois quando você está em uma situação desconfortável é muito mais difícil você fingir algo, e diante de textos sufocantes não há como fingir uma reação que não temos, pois aquilo é mais íntimo.
Novamente volto a parabenizar, excelente texto e me trouxe vontade para conhecer a autora, muito obrigada por proporcionar esse conteúdo!
Ótimo ponto, Pedro! O desconforto desperta a sinceridade. Fico contente que curtiu o texto.
O efeito Lygia é magistral! Achei incrível o modo como sintetiza o impacto de cada conto, Nathan. ✨
Obrigado, Talisya!
texto incrível! suas análises são muito boas 🌟
Que alegria saber que gostou, Júlia!
magnífico Nat! vc escreve tão bem... 🩷 Nós pessoas que caímos na armadilha lygiana com orgulho 🫶🏼
Com muito orgulho! Obrigado por seu comentário e, também, por ter me incentivado a ler Lygia.
suas palavras aumentaram ainda mais a minha vontade de ler Lygia! sempre me vejo lendo trechos de As Meninas e Ciranda de Pedra nas livrarias e acho que estou chegando perto do momento em que os conhecerei completamente. 🌷
Ayla, uma boa discípula de Clarice precisa ler Lygia! Elas têm muitas histórias legais de convívio juntas. Certeza que você vai amar, assim como eu.
Lindo texto! Lygia é magnética e me ajudou a abrir os olhos para o mundo quando li "Ciranda de Pedra". Ela é incrível, assim como a sua análise.
Agradeço, Alessandra! Ansioso para continuar lendo e analisando a obra dela.
Muito interessante essa sua análise da escrita da Lygia. Você não falou somente do que ela escreve, mas de como ela escreve e isso faz uma total diferença para o leitor.
Analisar como o autor escreve é a camada da leitura que mais me atrai. Obrigado pelo comentário, Gil!
Que texto foda, Nathan. Você surpreende como sempre, mano.
Uma das coisas mais interessantes que venho percebendo no Substack são textos que apresentam autores com os quais eu nunca tive contato e, a partir dessas leituras, despertam uma vontade real de ir atrás. Isso não falha, instiga mesmo. A Lygia já entrou pra minha lista.
Gosto muito de como você começa pelo conceito de sufoco e vai puxando isso pra situações concretas até chegar naquela sensação de não ter onde se apoiar. A parte da água me pegou bastante, porque dá pra sentir essa falta de estabilidade enquanto lê, como se o texto já colocasse a gente nesse estado antes mesmo de explicar.
Quando você leva isso pra literatura, tudo encaixa. O sufoco não fica só no tema, ele aparece na forma, nas lacunas, nessa ambiguidade que não deixa a gente confortável em momento nenhum. Dá pra entender bem essa ideia de que não se lê ela de forma tranquila.
Uma coisa que me chamou atenção foi quando você diz que o desconforto é a forma de tocar no que há de mais humano. Isso faz muito sentido, porque quanto mais a narrativa incomoda, mais ela força a gente a encarar o que normalmente evitaria.
E essa quebra de expectativa também é muito boa, essa sensação de que algo vai acontecer o tempo todo, mas o impacto muitas vezes está justamente no que não se resolve. Isso segura a tensão até o fim.
Lendo isso, me lembrei bastante do José Saramago, que trabalhei na universidade agora, recente, principalmente em “Ensaio sobre a Cegueira”. Mesmo com aquele estilo dele mais denso, com períodos longos, poucos respiros, é uma leitura que prende do início ao fim. E acho que tem algo em comum aqui, que é justamente essa sensação de desorientação, de tirar o leitor de um lugar confortável e obrigar ele a se situar dentro do caos.
Apesar de poucos autores hoje explorarem esse mesmo efeito, imagino que muitos ainda estejam por aí, talvez sem espaço ou até sem coragem de produzir algo assim, com medo de não serem compreendidos ou por não terem a mesma potência. A gente vive um momento em que a leitura anda cada vez mais apressada, e a paciência pra encarar esse tipo de sensação de quem realmente se entrega ao texto presente na obra, parece menor ainda. Por isso, o que você trouxe acaba tendo um peso maior, porque resgatam justamente essa potência que existe na escrita da Lygia Fagundes Telles.
Obrigado por isso, mano. Com certeza vou atrás e ler.
Seus comentários sempre surpreendem e enriquecem o proposto nos meus textos, Igor! Agradeço muito.
Ainda não me aventurei por Saramago, mas já tenho "As Intermitências da Morte" na lista de próximas leituras. Pelo que conheço dele, o caos é bem maior que Lygia, porque, como seu apelido de "dama da literatura brasileira" sugere, até a construção do ambíguo em sua escrita é de forma delicada e refinada.
Tenho certeza que dar uma chance para a obra dela lhe agregará muito!
Ameiiii!
Fico contente de saber!